quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

PAI,SAUDADES!



O ser humano, em sua escalada evolutiva, através do esforço, boa vontade e perseverança, procura trilhar o caminho do Bem.

Assim foi com esse homem extraordinário, de caráter marcante, que através da luta pela sobrevivência, se fez um homem de Bem – Meu Pai!
José era seu nome, de origem hebraica, indica um ser sensível, confiante, generoso, conciliador, aquele que acrescenta.

Nasceu no sítio Jenipapeiro, sertão paraibano, antes pertencente ao município de Catolé do Rocha. Órfão de pai aos quatro anos, cresceu, juntamente com seus irmãos, sob os cuidados de sua querida Mãe, que ficara viúva muito nova, de sua avó materna  e de alguns tios, ainda solteiros. Todos deram, além do carinho e disciplina,  valores de vida que ele carregou consigo durante toda sua existência.

Criança esperta começou a lidar com as letras aos seis anos. Naquela época, 1917, o estudo era precário na zona rural. A nossa comunidade sempre trazia para a casa de um membro da família, alguém, mesmo sem formação pedagógica, mas que sabia um pouco de português e matemática, para dar o ponta-pé inicial na formação escolar daquela meninada. Meu Pai, inteligente, extrovertido, conseguiu logo absorver as primeiras lições ministradas pelo seu professor de quem se tornou, pelo convívio, um grande amigo.

Recordo ainda com emoção, ele contando que fora convidado pelo seu Mestre a irem juntos até a cidadezinha próxima do sítio, para assistirem a missa do domingo, que acontecia uma vez por mês. Na hora marcada, ansioso, pensou que o seu protetor não viria, mas qual não foi sua alegria quando ao longe o avistou, montado em seu cavalo. Usando de uma grande virtude, a sinceridade, disse: “O pessoal estava dizendo que o senhor não vinha me buscar”. E o professor respondeu: “Barbosa, a primeira qualidade do homem de bem é não falhar em seus compromissos. Lembre-se sempre destas palavras de seu velho amigo e professor das primeiras letras”. E meu pai seguiu à risca os seus conselhos. Homem do sim, sim, não, não, nunca falhou com sua palavra e disso sou testemunha.

Foi crescendo com muita desenvoltura, de uma inteligência aguçada, sempre enfrentando os desafios da própria vida, conseguiu conduzir o seu barco, como um grande timoneiro. Ainda o escuto, dizendo meio brincalhão: "Segura o remo, Zé Barbosa, senão o barco afunda".

Casou-se aos 23 anos e teve uma prole de nove filhos. Continuou no trabalho agropecuário e mais tarde tornou-se funcionário público. Morando em Riacho dos Cavalos, ingressou na vida política, mas não conseguiu se eleger como prefeito da cidade. A honestidade, a generosidade e a responsabilidade foram os valores inerentes ao seu espírito e que tão bem soube passar para os seus filhos. Ficou viúvo aos sessenta anos e com noventa e dois, ainda lúcido, foi chamado a voltar à pátria espiritual.

Existia uma grande afinidade entre nós! Nos últimos anos, longe do seu convívio, não podia cuidar dele como gostaria, mas sempre que podia ia visitá-lo. Certa vez, me disseram que quando ele era avisado que eu ia chegar, seus olhos brilhavam de contentamento e o sorriso se fazia presente. Afinal sou a oitava da escala e a caçula das mulheres. Carinhoso e carismático tinha o apreço e o respeito daqueles que dele se aproximavam.

José Barbosa de Almeida deixou para seus filhos e gerações seguintes o exemplo de um homem digno, de personalidade marcante, de amor e dedicação para com todos. Os seus ensinamentos, meu querido Pai, vão se perpetuar para um todo e sempre. Obrigada Pai!

Neneca Barbosa
João Pessoa, 08/01/08

sábado, 5 de janeiro de 2008

CAMINHAR CONSIGO MESMO!



Na caminhada, o indivíduo se depara com acontecimentos, em todas as esferas do cotidiano, que de uma forma ou de outra servem para o crescimento interior. É na busca do autoconhecimento, do desvendar a si mesmo, que vai crescendo dentro de nós o desejo de descobrirmos qual o nosso papel na esfera terrestre. Papel este passageiro diante da transitoriedade da matéria, mas valioso para o espírito que  transcende.

Descobrir o caminho do equilíbrio e  da harmonia, ainda tão difícil de ser alcançado, eis o nosso desafio.  As mazelas do ser humano mutilam a capacidade de romper as fronteiras do orgulho e do egoísmo. Como buscadores estas mesmas mazelas,  muitas vezes, nos impedem  de continuarmos descobrindo o que ainda não conhecemos.

A força de vontade é um elemento fundamental para escalarmos as veredas íngremes do nosso coração, onde iremos encontrar algo que nos guiará adiante. São setas que indicarão a saída. Basta que estejamos atentos para encontrarmos a senha que nos levará à luz.

Aprendamos com a natureza os seus segredos. Assim, entraremos em colóquio com ela, nos espelhando na liberdade dos pássaros que através dos primeiros ensaios de seus voos singram às alturas. Construindo os bons sentimentos, poderemos juntos gerar  a energia do amor, essência perfumada que permeia o nosso espírito. Dessa maneira, o nosso Planeta que é uma escola abençoada, continua sendo o porto seguro para a Humanidade em evolução.

Na caminhada, todos os estágios da  vida são importantes para o nosso aprendizado. Porém, aproveitemos as oportunidades, e que possamos apreender as experiências renovadoras vividas ao longo da jornada. É um chamamento para o despertar!

Neneca Barbosa
João Pessoa, 26/12/07



quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

SENTIDO NATALINO



Natal, época do ano que se comemora o nascimento do Mestre Jesus, entre os cristãos. Há mais de dois mil anos que sua mensagem ecoa no ar em forma de magnetismo divino, e a humanidade ainda não absorveu. Vi uma frase: “Natal é época de que mesmo? Ah, tempo de vender mais”. Infelizmente o materialismo demonstra como estamos longe dos valores da fraternidade, preconizados pela mensagem cristã. Nem todos aproveitam esse período para fazer uma reflexão espiritual propondo-se às mudanças interiores.


As lições do Mestre, contidas no Evangelho, são como roteiro de bênçãos que nos guia e nos orienta durante toda a nossa existência, convidando-nos ao equilíbrio, a serenidade, ao esforço permanente de renovação e o trabalho no Bem. Essa renovação conseguiremos através da fé, na certeza de que somos amparados e que, apesar das dificuldades, colheremos os frutos da nossa sementeira de lutas. 
Alegra-nos em saber que muitas pessoas, umas até no anonimato, trazem em sua alma o verdadeiro sentido do espírito natalino, por serem sensíveis às necessidades alheias.


Neste momento, lembro-me do Natal dos meus tempos idos. Naquela época, pelo menos nos sítios e cidadezinhas, não se falava em Papai Noel, presentes e árvores de Natal. O seu sentido era apenas religioso. Assistir a missa do “galo” à meia noite, e ver o presépio montado ao lado do altar. Para mim, ainda criança, como também para toda garotada, era uma alegria, mesmo suportando o sono que nos abatia.  O prazer era tamanho diante das figuras da sagrada Família, dos Pastores e dos animais. Todos ali reverenciando a chegada do menino Jesus.

Natal, significa nascimento do Meigo Rabi da Galiléia em nossos corações, nascimento da esperança a cada alvorecer. Sentir que Ele está ao nosso lado, representado no cuidado que dispensamos à nossa família, na criança desamparada que estende os seus braços para nós, nos aflitos da mendicância e em tantas outras possibilidades que temos de auxiliar o nosso próximo. Muita paz, luz e amor em nossos corações!





Neneca Barbosa

João Pessoa, 12/012/07

quinta-feira, 29 de novembro de 2007

PRÊMIO ESCRITORES DA LIBERDADE



Prêmio Escritores da Liberdade
 

Tive a agradável surpresa de ser-me concedido um prêmio, como blogueira: Escritores da Liberdade.
O prêmio foi-me atribuído por minha querida amiga LENINHA, também, anteriormente nomeada “Escritor da Liberdade”, autora do blog http://leninhaluz.blogspot.com, e que foi inicialmente criado e publicado no blog Batom cor-de-rosa http://batomcorderosa.blogspot.com/ para distinguir e incentivar todos os que escrevem, partilham seus sentimentos, opiniões, dividem as palavras amigas que recebem de seus amigos, colocam seus ideais, seus gostos pela literatura, seja ela de que forma for e de que manifestação lhe seja atribuída.

O prêmio tem um simbolismo, e reflete o reconhecimento a quem escreve e a quem partilha.

É um generoso incentivo de quem o criou e de quem o atribui, a amiga e poetisa Marta Peres.

Por isso, outros como eu, precisam desse estímulo.  Passo o testemunho e procurarei ser isenta e justa na escolha, respeitar quem o criou, respeitar quem o imaginou, parabenizar os que o receberam e a acentuar a credibilidade dos valores da LIBERDADE, pois onde há liberdade há criatividade.

É uma honra receber o prêmio Escritores da Liberdade!

Obrigada a todos que tiveram essa iniciativa e aos que deram continuidade a esse trabalho de incentivo, para os que estão se descobrindo nas Artes.

E a ti, querida Leninha , o meu muito obrigada!
Abraço carinhoso!

Neneca Barbosa.

terça-feira, 13 de novembro de 2007

CAROL, MINHA FADA!

                                                                     S. João na APAE






A família está em festa. Carolina chega, pela bondade divina, ao mundo dos homens. Como todo ser humano veio também com o objetivo de evoluir. Para mim, avó pela primeira vez, foi um presente dos céus. Carinhosamente chamo-a de Carol, Carolzinha e Lola! É uma princesa? Uma boneca? Ou uma fada? Não sei, mas sei que ela é linda!



Hoje com dez anos, trouxe consigo limitações de uma criança especial, mesmo com suas particularidades, mas o que conta para nós é o amor que sentimos por ela. Preocupamos-nos sim, de fazer o melhor para que tenha uma boa qualidade de vida.



Carol é mesmo um ser especial. Sua comunicação não é através das palavras articuladas. Que importam as palavras! Seu comportamento tranquilo, tão bem expressado pelo seu bom humor, sua percepção e o brilho do seu olhar que transmite serenidade e beleza. É como se tudo estivesse bem para ela, e deve estar... Enquanto o seu corpo físico está ali nos momentos de repouso, alheio para aqueles que não têm a sensibilidade de vê-la com os olhos da alma, o seu espírito voa, voa em busca de outras plagas, buscando o aprendizado infinito. E quando volta parece ser protegida por uma redoma, assim como a redoma da rosa, do Pequeno Príncipe, de Exupéry. A dor, nossa amiga e companheira, é generosa para com ela, pois é difícil bater a sua porta.



Como nos afinamos! Basta chegar a sua casa para sentir a interação dela. Isso é feito com um espaço de tempo, pois a distância física que nos separa é razoável. O sorriso de satisfação, o brilho dos seus olhinhos, penetra bem no fundo dos meus. Quanta emoção quando nos encontramos. Dois seres que se amam muito.



Quando regresso ao meu lar, telefono sempre para que ela escute a minha voz. Ao ouvir alguns sons que emite, aqui do outro lado da linha está a vovó, que lhe ama muito, que conversa, ri, diz palavras de incentivo e faz aquela festa.

Carol, quantas lições preciosas você tem dado. Cultivou a paciência em seus pais, a resignação em seus avós e tios, o carinho e a entrega de todos aqueles que a assistem. Seu corpo físico é perfumado, mas muito mais é o perfume que exala da sua alma. É um ser adorável, protegida pelos seus amigos espirituais.


O despertar vem de um modo que nem imaginamos. Nesses momentos perguntamos: O que será que Deus quer de mim? Todas as ocorrências de nossa vida poderão ser nomeadas de “intervenção divina” ou “desígnios de Deus”. No entanto seja qual for a denominação que utilizarmos, tenhamos a certeza de que tudo aquilo que nos acontece, tem como objetivo profundo, a renovação da alma e como propósito o bem comum.





Neneca Barbosa

João Pessoa, 10/11/2007