
O ser humano, em sua escalada evolutiva, através do esforço, boa vontade e perseverança, procura trilhar o caminho do Bem.
Assim foi com esse homem extraordinário, de caráter marcante, que através da luta pela sobrevivência, se fez um homem de Bem – Meu Pai!
José era seu nome, de origem hebraica, indica um ser sensível, confiante, generoso, conciliador, aquele que acrescenta.
Nascido no sítio Jenipapeiro, órfão de pai aos quatro anos, de uma família de cinco filhos, cresceu sob os cuidados de sua querida Mãe, que aos trinta e um anos, ficara viúva, de sua avó e de seus tios que, além do carinho, deram para ele valores de vida, que ele carregou consigo durante toda sua existência.
Criança esperta começou a lidar com as letras aos seis anos. Naquela época, 1917, o estudo era precário na zona rural. A nossa comunidade sempre trazia para a casa de um membro da família, alguém, mesmo sem formação pedagógica, mas que sabia um pouco de português e matemática, para dar o ponta-pé inicial na formação escolar daquela meninada. Meu Pai, inteligente, extrovertido, conseguiu logo absorver as primeiras lições ministradas pelo seu professor de quem se tornou, pelo convívio, um grande amigo.
Recordo ainda com emoção, ele contando que fora convidado pelo seu Mestre a irem juntos até a cidadezinha próxima do sítio, para assistirem a missa do domingo, que acontecia uma vez por mês. Na hora marcada, ansioso, pensou que o seu protetor não viria, mas qual não foi sua alegria quando ao longe o avistou, montado em seu cavalo. Usando de uma grande virtude, a sinceridade, disse: “O pessoal dizia que o senhor não viria me buscar”. E o professor respondeu: “Barbosa, a primeira qualidade do homem de bem é não falhar em seus compromissos. Lembre-se sempre destas palavras de seu velho amigo e professor das primeiras letras”. E meu pai seguiu à risca os seus conselhos. Homem do sim, sim, não, não, nunca falhou com sua palavra e disso me responsabilizo.
Foi crescendo com muita desenvoltura, de uma inteligência aguçada, sempre enfrentando os desafios da própria vida, conseguiu conduzir o seu barco, como um grande timoneiro. Ainda o escuto, dizendo meio brincalhão: "Segura o remo, Zé Barbosa, senão o barco afunda".
Casou-se aos 23 anos e teve uma prole de nove filhos. Continuou no trabalho agro-pecuário e mais tarde tornou-se funcionário público. Morando em Riacho dos Cavalos, ingressou na vida política, mas não conseguiu se eleger como prefeito da cidade. A honestidade, a generosidade e a responsabilidade foram os valores inerentes ao seu espírito e que tão bem soube passar para os seus filhos. Ficou viúvo aos sessenta anos e com noventa e dois foi chamado a voltar à pátria espiritual. Ainda lúcido, previu sua própria passagem.
A afinidade entre nós dois era tamanha que, mesmo nos últimos anos, longe do seu convívio, quando lhe diziam que eu estava para chegar, seu olho brilhava de contentamento e o sorriso se fazia presente. Carinhoso, carismático tinha o apreço e o respeito daqueles que dele se aproximavam.
José Barbosa de Almeida deixou para seus filhos e gerações seguintes o exemplo de um homem digno, de uma personalidade extraordinária, de muito amor e dedicação para com todos. Os seus ensinamentos, meu querido Pai, vão se perpetuar para um todo e sempre. Obrigada Pai!
João Pessoa, 08/01/08
Neneca