quinta-feira, 12 de setembro de 2013

CAMPINA VERDEJANTE








Abro minhas gavetas e começo a colocar no papel minhas lembranças, meus sonhos, minhas emoções e sentimentos. Escrever me faz bem. Traz paz e renovação para minha alma que fica mais leve, mais solta... 

Revisto-a com as pétalas multicores das rosas, deixando exalar o perfume pelo ar para que possa ser sentido. Nestes momentos, cerro as pálpebras visíveis e abro as do espírito. 

A imaginação voa, voa até aos píncaros mais altos. Sinto a liberdade me conduzir pela campina verdejante do meu mundo interior, onde se encontra todo o arcabouço da minha existência...




Neneca Barbosa 
João Pessoa, 07/09/2013

segunda-feira, 29 de abril de 2013

RETROSPECTIVA




          

Hoje, resolvi fazer uma retrospectiva dos principais momentos da minha vida, no âmbito do conhecimento, através da educação escolar.
             
Nasci em uma vila do sertão paraibano, que hoje é uma pequena cidade, chamada Riacho dos Cavalos. Vivi minha infância entre lá e o sítio Jenipapeiro, reduto da família Barbosa, Almeida e Carreiro, da qual faço parte. Meu pai, José Barbosa de Almeida, era funcionário público estadual, no lugarejo de Riacho dos Cavalos, que não tinha sossego, pois quando ele estava contra o poder estadual, imediatamente era demitido e corríamos para nossa pequenina propriedade rural. Sendo a honestidade, umas das suas virtudes, sempre manteve sua ideologia política, sem que fosse preciso pular de galho em galho em busca de vantagens. Depois voltávamos para a vila ou distrito, que pertencia à cidade de Catolé do Rocha, quando novamente o poder estava ao seu lado.
           
Em 1962, o vilarejo de Riacho dos Cavalos foi emancipado, meu pai novamente foi admitido e dessa vez definitivo, onde passou a ser efetivo no emprego. Então, nessas idas e vindas nunca deixei de frequentar a escola, pois não me conseguia ver fora dela. Quando estávamos no sítio tínhamos professoras que iam de Catolé do Rocha e ficavam hospedadas em casa de familiares, que sempre desejaram ver seus filhos aprenderem as primeiras letras. A comunidade da nossa família deve muito as irmãs Silva (Mirian e Dalvinha), pela competência e carinho que tiveram, ao ensinar uma turma multisseriada.
           
No mesmo ano de 1962 fui estudar em Catolé do Rocha, onde cursei desde o Admissão até o Pedagógico, no Colégio Francisca Mendes. Adquiri conhecimentos que juntados à base familiar fizeram-me uma pessoa que continuou buscando realizar seus sonhos. Os anos passaram, casei-me, tive os quatro filhos que programei ter, dádivas do Criador, a qual me sinto co-criadora da espécie humana.
           
Neste ínterim parei de estudar. Morando em João Pessoa, capital da Paraíba, continuei sempre dedicada à leitura, até que um dia, e não faz muito tempo, comecei a rabiscar versos, não sabia que havia escondida dentro da minha alma, assim como a pérola vive escondidinha dentro de uma concha, a inspiração.
           
Continuei minha jornada correndo atrás de realizar mais um sonho. A minha ânsia pelo conhecimento continuou. Nessa altura da minha vida já tinha terminado minha missão com a educação dos rebentos. Senti o ninho vazio e foi quando meu filho caçula, Ticiano que não é o pintor italiano, mas um futuro cientista, me incentivou a fazer o vestibular para Ciências das Religiões, curso novo criado pela Universidade Federal da Paraíba.         
           
Relutei um pouco devido os meus 42 anos fora dos bancos escolares, mas depois acatei a sugestão e resolvi fazer o vestibular juntamente com algumas pessoas maduras, e principalmente com muitos jovens que tinham terminado o ensino médio. Isso, sem frequentar cursinho, apenas com a base do conhecimento que adquiri, nos tempos de outrora, e que carrego comigo. Qual não foi minha surpresa quando saiu a lista dos aprovados e lá estava o meu nome. A alegria foi tamanha, pois acabara de realizar um sonho da juventude: entrar em uma Universidade e fazer uma Graduação. Não tenho mais pretensões profissionais, apenas pelo prazer de aprender coisas novas e de conviver com a diversidade humana. Isto é compensador!
           
Estou de férias, razão de ter um tempinho para escrever, ler e visitar a “praça virtual” do facebook, como chama minha amiga Valéria Montenegro. Recomeço em maio, no 4º período. Foi difícil no início, pois a linguagem acadêmica era totalmente desconhecida para mim. Foi  através do esforço e da vontade da realização de um sonho deixado para trás, que vejo que valeu a pena. Trago as reminiscências da responsabilidade adquirida tanto no lar como no colégio. Então hoje, estou me saindo muito bem, muito bem mesmo. Infelizmente a avaliação é ainda a forma usada para medir o conhecimento. Segundo o ditado: “estou tirando de letra”.

Se alguém sentir minha ausência no espaço virtual, pode acreditar que estou estudando, pesquisando, lendo uma imensidão de textos, tudo para dar o melhor de mim, naquilo que abracei como realização de um sonho e não como um passatempo. 

Neneca Barbosa
João Pessoa, 29/04/2013