segunda-feira, 12 de novembro de 2007

BRINCADEIRAS DE RODA



As brincadeiras e cantigas de roda são formas de como o folclore brasileiro se manifesta. Desta vez, narro-as, por fazerem parte das minhas lembranças dos tempos de outrora. Visualizando um grande palco ao ar livre, onde a terra era o tablado, as recordações chegam com a magia e a beleza do encontro da menina e o tempo.

Nessa época já não morava mais no sítio Jenipapeiro. Num desabrochar de emoções vão se descortinando os momentos felizes, vividos em minha cidadezinha, Riacho dos Cavalos, sertão paraibano.  Era tão pequena, mas tão querida pelos seus habitantes mirins. Todos se conheciam e num clima de aconchego e carinho formávamos uma grande família!

O brincar de roda nos levava a percorrer o caminho entre os sonhos e a realidade. Servia ainda para desenvolver a nossa criatividade. O contato físico fazia com que houvesse a integração de todo grupo. Assim, íamos soltando o corpo e ajudando a vencer a timidez. Algumas brincadeiras precisavam desse toque corporal, a exemplo de senhora dona Sancha e da Margarida.

Quem não se lembra da Ciranda, Cirandinha, uma das cantigas de roda mais conhecidas e cantadas em todo Brasil? As que eu brincava e cantava mais eram: Fui à Espanha, O Cravo e a Rosa, O Pobre e o Rico, Terezinha de Jesus, Escravos de Jó, Gata Pintada, A canoa Virou, Se esta rua fosse minha e outras tantas, pois o acervo é grande.

Estando já no início da adolescência, nós, os jovens, gostávamos das brincadeiras de Passar o anel, Cadeira vazia, pois sentávamos todos nas calçadas, onde muitas vezes começavam ali os namoricos. Outras brincadeiras como pular corda, amarelinha ou academia (como nós chamávamos), também faziam parte do nosso cotidiano.

Tempo bom e descontraído em que podíamos ter o privilégio de brincar nas calçadas e no meio da rua, sem que nada de mal nos acontecesse. As brincadeiras de roda além de divertir a meninada estavam resgatando o folclore infantil brasileiro.

Hoje, as crianças quase não brincam e não cantam as cantigas de rodas. Que pena! Com a tecnologia  a garotada não vivencia do mundo mágico de beleza e felicidade. Naquela época, podíamos ver a alegria estampada nos rostos juvenis, de todos aqueles meninos e meninas, dos tempos que se foram.

Espero que as escolas resgatem tudo isso que foi vivido em algum tempo e que continua vivo dentro de cada um de nós. São criações oriundas da cultura popular tão presente em todo solo brasileiro. O nordestino Luís da Câmara Cascudo que se dedicou ao estudo da cultura brasileira, retrata tão bem em uma de suas obras intitulada: “O Dicionário do Folclore Brasileiro”.

 
Neneca Barbosa
João Pessoa, 09/11/2007


Um comentário:

Maria Sueli Vasconcelos disse...

Verdade Neneca amiga.
E como éramos felizes!
Podíamos brincar sem medo de sermos raptados ou algo assim..
Quanta saudade eu sinto e vc como sempre nos faz reviver os momentos descontraídos e mais felizes da nossa querida infância.
Bjs. amiga TE AMO.